Uergs hortênsias

Uergs hortênsias

2022
são francisco de paula | RS
universidade
4.470,71m²
proposta apresentada no concurso nacional de arquitetura, promovido pelo IAB-RS, para a nova sede da uergs hortênsias. equipe de projeto: arq. Daieli Kunz, arq. Gabriela Bertoli, arq. Luiza Jung, arq. Manoela Lemos, acad. Claudia Glitzenhim | imagens: Antônio Cornely | diagramação: Pietro Rodrigues

Em um contexto urbano consolidado, o campus da UERGS Unidade Hortênsias surge como uma extensão do espaço público existente, articulando e potencializando todo o seu entorno. Cria-se um eixo de conexão a partir da Avenida Júlio de Castilhos que cruza o terreno até a nova praça, na rua José Bonifácio, agora elevada. De um lado do eixo, na porção próxima ao meio da quadra, edifica-se uma torre com a altura máxima permitida. De outro, uma barra de dois pavimentos é elevada do térreo, liberando-o para a utilização como espaço público, aberto e coberto. Uma grelha quadrada de 7x7m é a base para a distribuição do programa no terreno e para o desenvolvimento da estrutura em concreto armado.

Em um volume simples acomodado na topografia natural do terreno, está a biblioteca. Ela ocupa o nível da rua em um gesto simbólico: o de democratizar o acesso ao acervo produzido pelo conhecimento que se dispõe no mundo e do mundo. Porém, um conhecimento produzido horizontalmente. O conhecimento que não é unívoco, mas que dialoga com as pessoas, usuárias finais desse conhecimento. A biblioteca, também aberta ao público externo, é o convite para adentrar nesse universo de oportunidades e conexões que a universidade pode e deve promover.

Para potencializar a presença da comunidade no espaço da universidade e em tempo integral, propõe-se um pequeno café ocupando a edificação histórica pré-existente, mais um pequeno anexo para abrigar sanitário e algumas mesas extras. Isso proporciona ao público geral, que tem acesso livre à biblioteca e ao café, vivenciar a arquitetura contemporânea e histórica convivendo de forma respeitosa e harmônica, incentivando a comunidade a olhar para o patrimônio edificado de toda a cidade como uma potencialidade.

A escolha por trabalhar com uma tipologia volumétrica de torre e barra permitiu que a altura da edificação fosse menor na esquina, fazendo uma transição mais suave de altura entre ela e as edificações do entorno, que são mais baixas. Ainda, permitiu a criação de um terraço sobre a barra, conectado com o pavimento que abriga cantina e diretório acadêmico, locais mais descontraídos, que poderão usufruir de uma segunda praça, esta elevada. A base dos volumes é marcada, revestida em pedra, como se aflorasse do solo, fazendo referência às fundações e muros de pedra das edificações históricas locais, incluindo a existente no lote.

Nas fachadas, a grelha e subgrelha do projeto aparecem marcadas, delimitando o tamanho dos painéis de fechamento. Esses painéis são esquadrias envidraçadas do piso ao teto, buscando uma ampla conexão visual do ambiente interno com o externo, além do maior aproveitamento possível da iluminação natural. Essas esquadrias possuem grandes janelas operáveis, que oferecem acesso ao ar fresco quando conveniente. Na barra, painéis de madeira móveis, por fora do vidro, fazem o controle da incidência solar, já na torre, utilizou-se painéis de chapa metálica branca, visualmente mais leves. A materialidade da pedra e da madeira se conectam ao contexto através de um sentido de familiaridade e regionalidade. Ao mesmo tempo, são empregadas numa linguagem contemporânea, e no, conjunto, se propõem a criar novos sentidos e significados para o local, conectados ao mundo moderno que vivemos no presente.